Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

E se toda a gente quisesse viver como eu?

Hoje enquanto o autocarro me levava para casa, o escuro da noite não me impediu de concentrar a minha atenção nas vistosas moradias que preenchem a paisagem da viagem. São daquelas moradias grandes, construídas naquela altura em que os portugueses pensavam que eram ricos. À excepção de duas ou três, habitadas por advogados, praticamente todas as outras me pareceram estar vazias. Questionei-me acerca da utilidade de ter casas tão grandes, e acerca do conforto de viver nelas. Depois lá veio a tal pergunta "E se toda a gente no mundo pudesse viver assim? Era possível? O planeta aguentava?". Não aguentaria certamente. E se toda a gente quisesse viver como eu?

No outro dia estava já deitado na cama, a ouvir música pelo mp3, e com um saco de água quente a aquecer-me os pés. Tal como um velho, como alguém me relembrou.

Normalmente deito-me já tarde, e cheio de sono. Mas naquele momento estava ali deitado na cama, sem muita pressa de adormecer, e como tinha que esperar pela mensagem diária a dizer "boa noite, até amanhã", a que eu responderia com algo simpático e com um smile no fim, fiquei livre para pensar em qualquer coisa.

Ao ínicio, e ao mexer os pés, lembrei-me daquela vez em que estava deitado com a minha tia e algo me fez acreditar que os meus pés tinham tocado no fim da cama. Parecia mesmo que as minhas pernas já eram tão compridas como eu desejava.

Pouco depois lembrei-me das vezes em que eu estava deitado na cama com a minha mãe, e sabendo que ela não gostava, insistia em «mergulhar» nos lençóis e explorar tudo o que havia lá em baixo. A minha imaginação levava-me a pensar que estava noutro sítio, e aquela mistura de sensações entre o perigo do escuro e a segurança de ter a minha mãe por perto chegava para me divertir.

Mas agora já não me deito com a minha mãe nem com a minha tia, e estava por minha conta. A minha imaginação podia levar-me onde quisesse, mas tinha que levar sozinho com as consequências.

Decidi não pensar em muitas coisas, apenas recordei etapas da minha própria vida, coisas que já senti, pensei, e vi... Explorei o conforto que estava a sentir dentro daquela cama, e em vez de cobiçar uma vida melhor, apercebi-me da imensidão de pessoas que desejariam estar onde eu estava e ter uma vida como a minha. Afinal, enquanto eu passo o tempo com lamentações, haverá muita gente a querer viver como eu.

sinto-me:
música: Jorge Palma - Estrela do mar
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publicado por david. às 21:32
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